A Palavra Livre de Mortágua
Sábado, 20 de Setembro de 2008
De Volta à Escola

Temos no nosso concelho colectividades com um já longo historial de promoção cultural. Quer através dos espectáculos que levam à cena, quer através de outras colectividades que convidam de todo o país e mesmo do estrangeiro. O aproveitamento dos edifícios escolares que vão ficar vazios pode em muito promover a actividade cultural em Mortágua. Podemos, com recurso a esses espaços, dar um salto qualitativo e quantitativo no que toca à cultura.

As perto de meia centena de salas, em cerca de 30 edifícios escolares, que vão ficar disponíveis são, grosso modo, todas iguais. Construção, disposição e áreas semelhantes. Esta uniformidade torna possível a elaboração de um projecto de utilização integrado.

Todas estas salas são potenciais espaços multiusos. Podem receber centros de dia, espectáculos, pequenas conferências e reuniões, camaratas improvisadas, etc… Podem ainda servir de base de apoio a actividades lúdicas e turísticas.
Para possibilitar esta utilização multifacetada é necessário ter equipamentos modulares que facilmente se transportem e se montem onde haja necessidade. Tomemos a exemplo uma camarata. Recorrendo a beliches tipo militar, a uma carrinha e a duas pessoas, rapidamente se pode montar um dormitório em qualquer local do concelho. Pode assim receber-se um grupo cultural que venha participar num qualquer evento. Acolher um grupo de uma colónia de férias. Instalar provisoriamente, no caso de uma necessidade, um conjunto de pessoas…
Com a mesma facilidade se pode montar um palco e uma plateia, organizar uma sala de reuniões, instalar um serviço de apoio a uma das provas desportivas que temos no concelho. Haja ideias e a infra-estrutura estará lá. Utilizável, reutilizável e, mais importante, com a faculdade de estar replicada quase meia centena de vezes por todo o nosso território.
A utilização enquanto centros dia irá por seu lado permitir atenuar o rude golpe que é privar uma povoação da sua escola. A existência destas estruturas permitirá acolher os idosos que são cada vez mais os únicos habitantes das nossas aldeias, ocupando-os com actividades lúdicas e culturais. Permite ainda suportar os já existentes serviços de apoio ao idoso.
É urgente e importante que surjam projectos válidos para todo este património imobiliário, sob pena de o vermos degradar-se perante a nossa inércia ou, pior, de o vermos entregue à iniciativa privada e mercantilista como vai acontecendo um pouco por todo o país.
 


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publicado por Mário Lobo às 17:08
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Domingo, 14 de Setembro de 2008
Cartas do Exílio - Publicação da Série I

Está completa a publicação da primeira "colecção" de correspondência trocada entre mim e a Câmara Municipal de Mortágua.

A consultar aqui.


sinto-me:

publicado por Mário Lobo às 03:33
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Verdes são os Campos...

Texto publicado em 12 de Setembro de 2008 no jornal Defesa da Beira

 


 

Muito me apraz ver na agenda da Câmara Municipal publicado um texto sobre a importância das nossas ribeiras. Assunto sobre o qual já tive o prazer de escrever mais do que uma vez, tendo até uma delas provocado reacções menos cordiais. Mas adiante…
As ribeiras do Concelho de Mortágua serão talvez o que de mais único e valioso teremos. A rede fluvial é vasta cobrindo todas as nossas 10 freguesias. A quase totalidade das águas destes vasos acaba por desaguar no Rio Mondego, em Almaça, havendo só uma pequena porção que desagua no Rio Criz e no Dão, sendo assim quase todo o Concelho parte integrante da Bacia Hidrográfica do Mondego. A esta “regra” têm que se referir as ribeiras do Meligioso e de Trezoi que correm para Noroeste e integram a Bacia Hidrográfica do Vouga.
Se o aproveitamento mais imediato que, como referi já noutro artigo, se pode fazer desta rede fluvial é a pesca, outro podemos ainda fazer numa perspectiva lúdica não desportiva. Detentor da maior várzea do Distrito de Viseu, o Concelho de Mortágua é ainda rico em extensões planas ao longo deste ou daquele ribeiro. Nalgumas dessas zonas podemos ainda encontrar a vegetação original criando assim ambientes bucólicos e de grande beleza. Num enquadramento de uma procura cada vez maior de um turismo de qualidade e de contacto com a natureza esta é uma mais-valia que não se pode desperdiçar.
Cirandando de um lado para o outro nesta nossa Europa verificamos serem inúmeras as auto caravanas em transito conduzidas pelos turistas. Em Portugal a quantidade desses veículos quer com origem estrangeira quer com origem nacional é já digno de reparo. Este é um turista que gosta de ir aos locais e ver, conhecer na primeira pessoa. São também, regra geral amantes da natureza e dos meios rurais.
Com os factos enunciados facilmente constatamos ser o nosso Concelho um potencial destino turístico para estes ciganos dos tempos modernos. Tal como os filhos do vento estas gentes gostam de se instalar em locais sossegados e aprazíveis para desfrutarem do seu tempo com a qualidade e tranquilidade dignas de umas férias. Os nossos cursos fluviais, depois de verem as suas margens regularizadas e os seus caudais estabilizados, podem proporcionar locais que se encaixam perfeitamente no tipo de destino pretendido por uma crescente fatia do mercado turístico.
Se o POAA (Programa de Ordenamento da Albufeira da Aguieira) veio remover o grilhão que asfixiava o investimento turístico em torno da barragem da Aguieira, também é verdade que talvez tenha pecado por exagero. O POAA permite a construção de um Parque de Campismo em cada um dos 4 concelhos abrangidos (Carregal do Sal, Mortágua, Santa Comba Dão e Tábua). O ser permitido não significa que sejam construídos, mas cria de facto essa possibilidade. Isto juntando-se ao facto de ser impraticável promover o turismo aquático na albufeira da Aguieira enquanto a água se encontre no estado de poluição actual.
Assim em Mortágua poderíamos criar um inovador parque de campismo que ao invés de se concentrar todo numa só área, agrupando dezenas ou centenas de turistas, se espraie ao longo das nossas linhas de água em pequenas áreas preparadas para a recepção de um punhado de campistas nas suas auto caravanas e/ou tendas. Assim possibilita-se a quem visita um contacto directo e intimista com a natureza com alguma regra que possa garantir a qualidade desejada e reduzir o impacto no meio ambiente.
Estas áreas campistas estariam equipadas, por exemplo, com um pequeno fogareiro (construído por forma a precaver os riscos da estação estival, claro), instalações sanitárias mínimas, sistema de descarga de águas sujas para as auto caravanas, mesas com bancos, terreiros de jogos, e com tudo o que demais possa ocorrer. Paralelamente seria fácil promover mercados como o aluguer de bicicletas ou pequenos veículos motorizados todo o terreno, canoas, equipamento de pesca, etc… o limite seria a imaginação. Ao longo das margens, e unindo estas áreas, existe ainda a possibilidade da criação de circuitos onde quem está de férias se possa passear a pé ou de bicicleta, a passo lento ou ritmo de corrida. Estes circuitos seriam, como é lógico, uma mais-valia para os próprios habitantes do nosso Concelho que os poderiam utilizar durante todo o ano.
Mas para atingirmos um patamar de qualidade (e aí devo referir a minha concordância com o referido artigo na publicação autárquica) temos que tratar bem melhor as nossas ribeiras. Garantir corredores ecológicos com a vegetação natural. Acabar determinantemente com os efluentes domésticos e industriais, e acabar com o atulhar dos leitos com as sobras da exploração florestal.
Para citar John F. Kennedy, visto estar na moda, numa frase “roubada” a Bernard Shaw: «Outros olham para as coisas e perguntam-se porquê. Eu sonho coisas que nunca foram e pergunto: “Porque não?”»
 


sinto-me:

publicado por Mário Lobo às 02:40
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