A Palavra Livre de Mortágua
Sábado, 25 de Março de 2006
Os Preços da Habitação em Mortágua

Em Mortágua temos assistido, há já alguns anos a esta parte, a uma subida desmesurada dos preços das habitações e do terreno para construção. Preços esse que só encontram par em cidades (também já tidas como caras) como Coimbra.

O Poder Local argumenta não ter capacidade para intervir quanto à necessidade de baixar os preços dos terrenos para construção, e logo o preço da habitação.

Mas convêm ir ao fundo da questão. Os blocos de apartamento construídos ao longo da Avenida Dr. José Assis e Santos são o primeiro sinal exterior da ausência continuada de uma visão estratégica para o desenvolvimento urbanístico do Concelho. Havendo que respeitar as várzeas, pois estas além de se encontrarem abrangidas pela Reserva Agrícola Nacional são leitos de cheia, sobeja ainda muito espaço Urbanizável em torno da sede do Concelho e povoações limítrofes.

Todo o pedaço de terreno que se situa entre a Ribeira das Rigueiras e o eixo Cruz de Vila Nova/Vila Meã (ver mapa) se situa bem acima da quota de cheia (+/-90m de altitude) é uma zona com grande potencial urbanístico. A prova disso é o crescimento que se tem verificado ao longo a artéria que liga a Gandarada ao fundo de Vila Meã. Digo artéria mas devia dizer vaso capilar, pois a largura dessa estrada é ridícula mesmo tendo em conta a população que actualmente serve.

E aí se mostra a falta de visão para o futuro Mortaguense. Está mais que visto, e apesar dos ainda caros terrenos e avultadas despesas com o seu urbanizar, que a zona de expansão natural de Mortágua é essa. Assim sendo a autarquia trata de alcatroar um caminho aí existente para que possa servir de estrada de acesso às já então construídas habitações bem como àquelas a construir. Ao momento em que procedeu ao alcatroar desta via dever-se-ía também ter procedido à sua requalificação e reestruturação. Por outras palavras o que se devia ter feito era ter criado reais condições para um desenvolvimento urbanístico sustentável, e isto tão simplesmente com o alargar da via para uma largura muito superior. Senão, verifique-se:

1.      A via de circulação não permite o cruzamento de dois veículos se houver algum terceiro estacionado junto ao passeio;

2.      A largura dos passeios não lhes permite a abdução de um pedaço para a construção de estacionamentos, pois a sua largura mal serve para a circulação de pessoas;

3.      Os acessos sul a essa via são no mínimo aberrações. Veja-se a ponte que transpõe a EN234 e o nó de acesso junto às Bombas de Combustível. Como cereja no topo do bolo, a construção de um inútil Ninho de Empresas (a ver noutro artigo) vem impedir que se possa remediar o mal feito na construção da dita ponte e assim prolongar a mais curta avenida do mundo (que se situa ao cimo da Gandarada).

Analisado que está o problema resta passar a proposta de soluções:

·        Criação de um aceso eficaz desta zona a norte da EN234 ao centro da vila;

·        Alargamento da artéria que liga a Gandarada a Vila Meã, já com eventual possibilidade de ligação à futura (?) Auto-Estrada Viseu/Coimbra;

·        Instalação, a expensas públicas das condições mínimas de urbanização para assim evitar a especulação em torno destas bem como o custo desnecessário que é a criação de condições de urbanização para conjuntos de 3 ou 4 lotes;

·        Definição em plano pormenor, e com base na actual disposição e limites dos terrenos, do tipo de construção a ser feita bem como a definição de zonas comerciais e de serviços que permitam sustentar o aumento significativo de habitantes a verificar posteriormente;

·        Acabar com os devaneios citadinos e impedir em PDM a construção de edifícios pluri-habitacionais com mais de 3 pisos;

·        Potenciar a criação de cooperativas de habitação para a aquisição de áreas com vários terrenos e construção de habitação a custos controlados com acesso a vários equipamentos sociais.

 As soluções, como se vê, não serão de execução fácil e natural mas também não são contendas hercúleas. A existência de alguma vontade e coragem politica será o suficiente. Claro que associado a alguma visão.

Com a diminuição dos preços de construção e aumento da qualidade de vida potenciado pela construção dispersa ao contrário da altamente concentrada que temos hoje, o aumento de população é obviamente de esperar. Com o aumento da população o crescimento da actividade económica é inevitável. Pensem nisto senhores.



publicado por Mário Lobo às 15:24
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1 comentário:
De jucanabarragem a 27 de Março de 2006 às 15:39
Muito bem sr. Mário. Quem fala assim não é gago!


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