A Palavra Livre de Mortágua
Sexta-feira, 16 de Abril de 2010
A Escola

O texto que se segue foi publicado no jornal Defesa da Beira em 9 de Abril de 2010.

Afirma-se como resposta a este texto meu.

 


Na última edição da Defesa da Beira, lado a lado, uma só versão e em comunhão de ideais, foi publicada em dois artigos distintos. Falavam-nos da Escola. Da Escola, que ambos admiram tanto e que tantas saudades lhes traz.

Oito da manhã. Os petizes (em maioria os rapazes, que as raparigas só muito mais tarde fizeram parte dessa história), de merenda e sacola na mão, e com uma chouriça e dois ovos para a Senhora Professora, pinhal fora, à chuva, dirigiam-se à Escola, nas manhãs gélidas e húmidas, escuras e escondidas no nevoeiro. Os sapatos, esses, eram muitas vezes forrados a pele... e como doía a geada..., mas a brincadeira de, na “calçada” da aldeia, fazer passar a lama por entre os dedos dos pés, tudo apagava...

Ali chegados, um Pai Nosso e uma Avé Maria, de joelhos, virados para o crucifixo da parede por cima do quadro negro, e ao lado a fotografia do Senhor Presidente do Conselho...

Sentar e mostra os deveres. Não fizeste? Tens dois erros? Erraste três contas? Ora toma três reguadas, um puxão de orelhas  e duas lambadas! Melhore aprenderes! E vais para a fila do fundo, que aqui ao cimo ficam os mais espertos.

São dez da manhã. Horas de ir à lenha para alimentar a lareira da sala, e colocar as brasas na escalfeta que está debaixo da secretária da Senhora Professora.

Meio dia. Almoço. Uma sardinha e um pedaço de toucinho com broa.

Três e meia da tarde. Hora de marcar os deveres. Para a Terceira Classe, estudar a lição “Bom Chefe de Família”, em que o Homem chega a casa, vindo da honesta e nobre Lavoura, o filho faz os deveres, a Mulher é a Fada do Lar e a filha ajuda-a na lida da casa, pobre e simples, mas asseada e humilde. Como se impunha. A verdadeira e patriota família portuguesa.

Quatro da tarde. Levantar, cantar o hino e ... marchar, marchar..., “Se aprenderem e se portarem bem ainda pode ser que façam boa figura na Mocidade Portuguesa para estarem preparados para que num futuro próximo venham a ter a honra de ir defender a Pátria nos nossos Territórios Ultramarinos...”

Bons tempos. Isso é que era uma Escola. Assim sim, valia a pena!

Fico admirado com a coincidência de opinião demonstrada por dois escribas que tão separados nela pareciam, mas enternecido pelo sentimento por ambos demonstrado.

 

João Pedro Fonseca



publicado por Mário Lobo às 17:00
link do post | comentar | favorito
|

mais sobre mim
pesquisar
 
Março 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30
31


posts recentes

No Comboio Descendente...

À Capela

Pendências e Modernices

A Liberdade de Escolher

Dos Partidos e a sua Demo...

Até Amanhã, Camarada!

Estórias do Maio

"Os Animais são Todos Igu...

25 de Abril Sempre!.. Sem...

As Portas que Abril Abriu

arquivos

Março 2012

Outubro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Outubro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Janeiro 2007

Julho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Dezembro 2005

Setembro 2005

Julho 2005

Junho 2005

Setembro 2004

tags

todas as tags

links
Contador
Visitantes
Juiz de Fora
blogs SAPO
subscrever feeds