A Palavra Livre de Mortágua
Segunda-feira, 15 de Agosto de 2011
A Liberdade de Escolher

O texto que se segue é de autoria de João Pedro Fonseca e foi publicado no jornal Frontal a 12 de Agosto de 2011.

Afirma-se como resposta ao meu artigo publicado no mesmo jornal na edição anterior.

Como hábito meu de garantir o direito de resposta fica aqui disponivel.


Há momentos em que quase não acreditamos naquilo que vemos, ou lemos. A lógica da construção mental que fazemos obedece a parâmetros e a valores, pelos quais nos balizamos e orientamos a nossa reacção perante aquilo a que assistimos e daí formulamos mentalmente a nossa análise e opinião.

Mas por vezes, o imprevisto acontece e a reacção pode ser imprevista. No meu caso particular e perante determinado artigo de opinião que pretendia (julgo) ser sério, só consegui rir, após ter lido e relido o texto, no mínimo quatro ou cinco vezes, pois a incredulidade aumentava à medida que avançava no texto.

Mas, opiniões são opiniões, factos são factos, e história é história. Vamos à História.!

Socorrendo-me da Wikipedia, da Infopedia, do ISCTE e dos Estatutos do Partido Comunista Português, constato que

“A Velha Guarda Bolchevique era formada pelos primeiros membros do grupo que fundaram em 1900, ou que ingressaram antes da Revolução de 1917. O termo Velho Bolchevique ficou como designação não oficial de membros do partido pré 1917. Durante o Governo de Stalin, grande parte da velha guarda foi removida do poder, durante os expurgos da década de 1920. Vários foram julgados, condenados, sentenciados à morte e executados por supostos crimes de traição à União Soviética e à revolução proletária… outros foram enviados para prisões onde eram torturados e sujeitos a trabalhos forçados ( Gulags ).”

Ficamos assim contextualizados com o termo Bolchevique…

Entretanto e por “doutrina marxista leninista de organização partidária, que teve grande desenvolvimento a partir da revolução russa, entende-se o centralismo democrático como a centralização da acção resultante da liberdade de opinião e da discussão de ideias. Há grupos de pessoas diferentes com ideias distintas, mas um modo de acção centralizadora numa estrutura única. A espontaneidade como forma de organização não pode existir, tal como a ilusão ideológica e a desorganização. Daí que o centralismo democrático tenha sido uma criação essencialmente leninista, em que o poder do todo fica a cargo da criação de um partido apto para assumir a função de vanguarda e organização de movimento. O poder fica assim centralizado numa parte esclarecida, congregadora de ideais e intelectualmente apta para cumprir o propósito da luta dos trabalhadores.”

Afinal os Bolcheviques não eram o Povo???

“A ideologia marxista leninista não atribui ao sufrágio universal o valor que lhe é dado pelas democracias ocidentais. Para Lenine, o proletariado urbano (pouco numeroso na Rússia de 1917) devia constituir a força motriz da Revolução e da edificação do Socialismo. Convencido de que a grande massa da população rural e iletrada, não votaria nos Bolcheviques (de facto nas eleições de Dezembro de 1917 para a Assembleia Constituinte, estes apenas obtiveram 25% dos votos), Lenine dissolveu a Assembleia e definiu o Partido Comunista como a “vanguarda da classe operária que deve governar em nome do proletariado”-

E para chegar aos nossos dias e à nossa realidade, 2 pequenos extractos dos Estatutos do Partido Comunista Português:

Artigo 16º

2 – são princípios fundamentais:

a), b),… h) – o cumprimento das disposições estatutárias por todos os membros do Partido e a não admissão de fracções ou entidades como a formação de grupos ou tendências que desenvolvam actividades em torno de iniciativas, propostas ou plataformas políticas próprias.

Capítulo IV – Os Órgão Superiores do Partido

2 – O Congresso é constituído por Delegados……..

Artigo 28º - A eleição do Comité Central, na base da proposta pelo Comité Central cessante….

A história repete-se, é bom, significa que continuam iguais a si próprios, mas convém não esquecer que o toucinho quando fica tempo demais guardado, acaba por ficar rançoso…

Mas há quem seja diferente e acima de tudo Livre. Livre para escolher, livre para formar grupos de opinião, livre para formar facções e tendências, livre para deixar que os outros possam ter opinião e a possam publicar livremente. E ter a liberdade de escolher e não ser expulso por ter escolhido é hoje em dia um direito obviamente consagrado, mas infelizmente não é assimilado por todos.



publicado por Mário Lobo às 17:17
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